domingo, 8 de abril de 2012

Poemeus para Millôr


Torre a lesma lerda

Com calma coma o torresmo

A espera de si mesmo



avalovara

Palavra larva

Que lavra na vala

O lar de Lara



Trabalho árduo

distinguir bem nascidos

de malcriados



Cada uma que Eu invento:

Será meu sopro

Primo do vento?


Baile da saudade

Velhos amigos idos -

Lá na Lápide

Alex Sakai

PVH – 24 03 2012

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

2012

2012
Aos
meus amigos Paulo e Zellus.

Um mar de luz irrompe em tempestade.
Sobre os vagalhões de átomos estupefactos,
Navega um planeta azul,
Com seu ventre carregado de seres
importantes.
Com suas manias importantes.
Seus negócios importantes.
Sua vaidade importante.
Seus exércitos. Sua arte. Sua mídia.
Também importantes. Indispensáveis.
Fundamentais.
O vento solar de neutrinos e fótons sopra
inclemente.
E a raça importante não vê.
Precisa destruir mais florestas para suas
usinas que transformarão o universo.
Precisa impreterivelmente arrancar mais
minérios para fabricar itens importantes.
Itens de consumo urgentes para o
crescimento industrial imperioso.
Um oceano de partículas subatômicas
iridescentes acelera a rotação das galáxias.
E continuam a matar seus semelhantes em
guerras santas e insanas e a eleger novos governos para fazerem mais guerras
santas e insanas.
- Somos muito importantes para perder tempo
com espécies em extinção.
Uma espécie extinta é extinta é extinta é
extinta. Mas o mundo não pára.
As bolsas clamam por mais comodites e os
bolsos ardem por mais lucros.
Uma aurora boreal eletromagnética toma todo
o mundo em ondas fosforescentes.
Mas os olhos estão pregados no último
reality show que vai chocar a assistência com estupros cerebrais e a crônica
sub-reptícia filosofia das dietas afrodisíacas.
O bacanal está criando uma nova classe de
consumo e as indústrias estão atentas ao novo nicho com produtos especializados
para gays, heterosexuais, hermafroditas, assexuais e pan sexuais.
A nova moda é trepar com as árvores bonsais
enquanto asteróides jogam tiro ao alvo com o planeta.
Os seres se transformaram todos em voyeurs
e cinegrafistas amadores munidos de sua mais nova tecnologia full HD super
portátil e inovadora.
Mas ninguém vê o inexplicável
desaparecimento das abelhas.
Nenhuma foi filmada. Mas as bundas abundam
na net e a energia para acender leds precisa de mais usinas e florestas
destruídas para iluminar as fachadas de novos shoppings centers, agora voltados para os novos públicos do
interior. Uma grande sacada. Vai vender milhõe$$$.
Tsunamis de energia jogam ping-pong com o
planeta provocando terremotos e vagalhões varrem cidades do mapa.
Mas estamos fazendo a nossa parte. Já nos
cadastramos nas associações de amparo as vítimas e enviamos garrafas de água e
cobertores.
Somos maravilhosos. Politicamente corretos.
Temos cotas para afrodescendentes. Vagas para deficientes. Votamos no cara mais
famoso da última semana. Estamos conectados na grande rede. Lemos piadas o dia
todo. Não quebramos as correntes. Tuitamos conteúdo relevante. Fazemos sexo
seguro. Separamos o lixo orgânico. Ah que maravilha somos quase santos.
Enquanto isso, do ponto de vista do limite
de nosso sistema solar, a explosão do sol é um ponto insignificante de poeira
cósmica que brilha por segundos e se apaga silenciosamente na vastidão do
universo sem deixar rastros...

Alex Sakai
Porto Velho –
14/12/2012

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

um segundo sem pensá-las
brilham estrelas
pelo teto da sala

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

oi

estou pensando em muitas coisas.
mas a coisa Q mais me importa é você.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

siga subindo

Quando chegares
ao topo da montanha
siga subindo

quarta-feira, 3 de junho de 2009





Feelings ou reflexões de um velho bardo sobre a poética.


Escuro escuro escuro. Todos vão ao escuro,
O vazio espaço interestelar, o vazio no vazio.



As palavras são a ordem e a desordem do universo.
Uma palavra pode salvar o dia, ou por tudo a perder.
O poder da palavra é indiscutível. A palavra é a pá que lavra o destino do homem.
Uma palavra como uma pessoa tem uma origem e um fim.
Mas o que há de mais notável em seu poder é a capacidade infinita de expressão, seu labirinto etimológico, seu jogo sutil de significados.
Há muito coleciono palavras. Palavras exóticas. Palavras banais. Palavras de alto valor sentimental. Palavras perigosas. Palavras nuas, sem seu véu de oculto poder.
Vejam o caso da palavra ventre, que durante anos freqüentou habitualmente meus escritos.
Como um chamado ao amor. Semiologicamente, pode se ver em ventre a palavra vem + entre, como se a menção da palavra fosse mesmo um convite as delícias da alcova.
Há casos mais sérios como a palavra consciência. Ter consciência é ter um estado pleno de lucidez, é o conhecimento presente, o estar desperto, com pensamento claro que possui àquele que está com a ciência.
Ao longo da vida venho colecionando essas pequenas jóias como
Paciência, realidade, cativar, diamante. Substantivos expressivos como flor, amora, irmão, coração. Palavras esquisitas como lambisgóia, alfarrábio, fidúcia. Sonoras como plúmbeo, trom, tântalo, abracadabra. Profundas como silêncio, claras como solar, límpidas como vento, nua como nuvem.
Como o poema totem que escrevi um dia :
Nu
Vem
To
Tem
Po
.

Onde se lê Nuvemtotempo,
Nuvem
Vento
Totem
Tempo e ponto final.
As palavras são designadas pelos poetas para além do cotidiano, vejam “ ou isso ou aquilo”, “lição de coisas”, vejam Drummond, vejam “um áporo”, vejam “oh roolfs of chelsea” e “voilá La tour Eiffel” de Vinícius de Morais, vejam além das palavras, vejam suas vísceras. A amplitude da compreensão se agiganta, se aprofunda, sobe aos círculos superiores da linguagem. Desde os ananukis, os seres supremos de três metros de altura, que segundo a civilização suméria, criou a escrita e muito mais, de acordo com o “códico cósmico” de Zecharia Sitchin, onde as tablitas de argila da escrita cuneiforme nos contam histórias fantásticas da expressividade de palavras além dos limites de nossa galáxia. E de como foram o fogo mágico civilizador da humanidade. Ficar no raso das rimas pobres, dos versos óbvios, das citações históricas, dos estilos, sem penetrar no reino surdo das palavras e das letras é matar a poesia e seus sacramentos.
Mallarmé disse a seu amigo pintor, séculos atrás, que poesia não se faz com idéias e sim com palavras. Por isso para quem quiser de verdade ser um poeta tem que penetrar nesse reino, como se penetra uma mulher. Com carinho, mas firmeza. Com ternura, mas com ciência. Tem que colecionar palavras. Tem que saber que cada uma é uma vibração de energia inteligente. Que cada uma tem o poder de criar ou destruir universos.
O Zohar, o livro da cabala Judaica nos conta que o próprio Deus usou das 22 letras hebraicas, de alef a tav para protagonizar a criação. O sábio povo Judeu, desde o princípio, sempre soube do poder das palavras, por isso seu exército sempre foi invencível. Sua ciência magistral e sua poesia a mais bela. Alguém já leu “o cântico dos cânticos”, não apenas como um mero poemeto do erotismo semita, como o querem os que se contentam com o raso, mas como uma expressão profunda do amor cósmico que tudo sustenta, a força cabalística superior, o amor que move astros e o firmamento? O que dizer dos salmos do poeta Davi, sem dúvida o poeta mais lido de todos os tempos. Os provérbios, o “Qohelet” de Salomão?
Por isso afirmo, para ser um verdadeiro poeta, um não pode se contentar com pouco, há que ser radical, ir à raiz. Conhecer a origem. Vibrar uníssono com o som das esferas e saber que elas, as palavras, são faces do mistério da criação. O resto é melosidade sem melodia, rimas sem conteúdo, imagens desbotadas e sem contorno. Vazio da existência, de divindade e de poesia.
Os poetas que já foram sagrados, porque tinham a compreensão da criação e o dom de cantar, se tornaram obtusos produtores de ruídos sonoros e logopaicos. Criaturas arrogantes, artífices ululantes do medíocre, almas perdidas sem seu criador.
Penetremos, pois, silenciosamente no reino das palavras... ali está o verdadeiro caminho do poeta.

Alex Sakai
PVH – março 2009

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

DIÁLOGO POÉTICO





Lendo Mirante 61, a revista resistência da poesia, a práxis poética, resolvi, ao modo do grande poeta Octávio Paz fazer um diálogo poético com os poetas Cláudia Brino, Antonio Canuto, Sidney Sanctus e Valdir Alvarenga , Q há anos se destacam na poesia de Santos. Apresento aqui minha voz e de meus pares, nesse ofício de macerar significados, argüir sentidos latos, eletrizar palavras, letras e fonemas. Na verdade um diálogo poético é a forma mais amiga de falar direto ao coração do outro. Para Q fosse mesmo um diálogo publiquei à esquerda, em tipo arial preto, o poema original dos poetas supracitados e em letras cursivas vermelhas o diálogo fraterno. Espero humildemente Q gostem das palavras deste velho bardo.

Axé!

DIÁLOGO POÉTICO

Para Cláudia Brino

A superfície do tempo nas entranhas do tempo

É o incógnito relógio não se cogita relógio

Metáforas de mil carícias realidade de uma carícia

Distração na verdade noturna. diurna verdade noturna.

Já estamos libertos sempre somos libertos

E definitivamente urgentes e naturalmente eternos

Porém então

Abra os olhos e perceba: feche os olhos e medite:

Nada é azul... é tudo blue...

Pois se a neblina é água pois se o azul neblina e água

Que finge tinge

Imagine o resto. Todo é esfinge resto.


CANÇÃO DO TEMPO/CANÇÃO DO TEMPO

Para Antonio Canuto


Dos ossos do peito dos suspiros do peito

Construí um porto ergui um píer

De onde os navios onde os navios

Que me partem Q aportam

Pelos dedos chegam cedo

Viajam no tempo viajantes do vento

Quem vive nestas praias quem mora nestas praias

Homens velhos homens jovens

Velhos pescadores jovens surfistas

De sonho de sonho

Sabem que o vento sabem Q o tempo

Muda o tempo comanda o vento

Crispa marés levanta marés

Levanta a areia crava as areias

Que cega de marcas

Marca a pele crispa a pele

E faz eco e silencia

Nas pedras do cais as pedras do cais

Sabem que é o vento sabem Q é o tempo

Que apaga o tempo Q sopra o vento

São homens velhos são homens jovens

Velhos homens homens e mulheres

Que amam o vento Q navegam o tempo


O FAUNO/ A NINFA

Para Sidney Sanctus

Agora sim, esparzirei mais astros depois não mais semearei astros

Agora sei que vou beber da tua essência depois de beber da tua ausência

Abro as portas do meu dia, com nuas auroras fecho as portas de minhas noites, visto auroras

Que morrem em crepúsculos de músicas e perfumes Q nascem nas manhãs de silêncios inodoros

Para nascer à noite e nos esconder para o amor para morrer no dia e nos expor ao amor.

Da tua fecundante imagem farei um Universo, de minha miragem estéril desintegrarei um átomo

Forjarei uma natureza só pra nós dois desvanecerei a ilusão em solilóquio

Onde cantem estrelas e brilhem os mares onde silenciem vácuos e escureçam rios

Germinarei um céu verde, sem nuvens, colherei a terra vermelha, enevoada

E o sol que nele fulgir será moreno, e a lua Q nela refulgir será dourada,

Tendo como tez o teu rosto de luar inebriante... tendo como ossos teu corpo de sol escaldante!!!

Que este sol aqueça nossas praias Q essa lua congele nossas florestas

E o amor que vem do meu coração, e a dor Q sai do teu coração.

Fluídico fauno a deflorar suas sensíveis sereias...! pétrea ninfa a congelar insensíveis tritões.


DIÁLOGO

Para Valdir Alvarenga

Meu amor é vingança o amor é esperança

É dança que envolve não se cansa de volver

Revólver que não atira revolve o Q não se tira

Mentira que brilha verdade Q atira

É brilho sem luz o brilho da luz

A vingança é meu amor é esperança meu amor

Avança como a onda dança como onda

Última do mar primeva do mar

Meu amor é vingança o amor é esperança

Um amor sem amar. um amor pra se dar.

Alex Sakai

Porto Velho 28/09/2008