terça-feira, 29 de julho de 2008

Este haikai escrevi quando aquela tsunami varreu a tailândia, país q me é muito caro pelo tempo q passei por lá,
principalmente pelas pessoas q conheci e q agora já são passadas na ilha de Kho Phi Phi


Lama salgada
a tsunami leva as almas
amalgamadas

Alex Sakai

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Punk-vestibular

Alô...
Como??!
Mas é urgente!
Preciso lhe falar...
Ah! Diga-lhe então você
Diga-lhe Q não dá eu não agüento
Diga-lhe Q eu estou apaixonado
(usando linguagem matemática se possível)
Diga-lhe Q eu entro nas CNTP – Condições Normais de Termoternura e Paixão
Na razão direta da proximidade de seus passos
Diga-lhe Q meus átomos excitados bombardeiam partículas
Alfa beta e gama superiores ao urânio 235
Diga-lhe Q meu sangue ferve pela transmissão de calor a cada afago
Q minha felicidade é diretamente proporcional
A intensidade do brilho catódico de seus olhos
Qmeus olhos giram em órbitas perfeitamente elípticas ao Vê-la
E Q ao vibrarem suas cordas vocais
Meu coração pulsa com uma freqüência kilohértica
Diga-lhe também Q minha engenharia poética
Constrói perfeitas pontes entre a razão e o sentimento
E Q eu possuo o mais-que-perfeito dos computadores
(amara-villhosamente)
Diga-lhe Q eu amo sem tempo ou espaço
( a teoria da relatividade explica isso)
Diga-lhe Q eu dissipo uma energia superior
À fissão nuclear a cada beijo
Diga-lhe q eu fiz um teorema:
A soma do quadrado dos carinhos
É igual a hiperternura ao quadrado
Diga-lhe Q meu abraço apaixonado
Exerce uma pressão de 10 toneladas por centímetro quadrado
E q eu deduzi a fórmula da felicidade:

F= (amor)2
__________
2


Diga-lhe Q eu sou um cientista poético
E Q eu provei a existência da poesia
Na física
Na química
Na matemática
E Q meu engenho funcionou
Diga-lhe Q eu a amo
E Q não comecei nenhuma frase por pronome oblíquo
E Q não fiz nada de bom nesses últimos anos
E Q estudei todas as lições de casa
E Q eu decorei todas as fórmulas
E Q meu cérebro virou suco
E Q eu não passei no vestibular...
Alex Sakai

terça-feira, 20 de maio de 2008

ai´vai um antigo garimpado no baú

tornei-me um sóbrio
e da vida não bebi
para esquecer
.
Santos 1900 e bolinha

terça-feira, 13 de maio de 2008

Ninguém soando no vento norte

Este poema escrevi recentemente e faz parte da filosofia q sigo
quem tem olhos veja bem direitinho.

Ninguém Soando no Vento Norte

Se a voz da perdição
Consumiu seu coração
Entre noites de danação e claros olhos de lis
Não se desespere na boca da aurora.

Não é porque está perdido
Q a bússola está sem rumo.
O tempo é o senhor
Da vida e o prumo
Do destino.
Não se arrisque a perder no tempo
O tino.
Esteja alerta
Não desatento.
A luz da consciência
É o melhor momento,
A hora certa da ciência

Q em si
É a luz
Q sacia.

Ninguém É
o dono do tempo.

Ninguém comanda o destino.

Ninguém É
o eterno supremo.

Ninguém conduz nossas vidas.

Ninguém
Semeia o campo de estátuas.

Ninguém
É Quem
tece o silêncio...


Alex Sakai
PVH - 9/05/08

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Este poema foi escrito pelo poeta Sidneey Sanctus para este velho bardo Q vos tecla.


CAOS DA COR
ao Alex Sakai
Enquanto Marx filosofa encarnado,
escarra rosa-choque o ouro ianque...
Livra-se da quizila abóbora de Yansãa
amarela tecnologia sol-nascente!
Aos poucos evaporam o verde
e o azul da América do Sul.
Queremos o fim do roxo penar do povo;
seja socado o olho incolor do arrocho!
Precisamos da alva neve cruz e sousianapara
cobrir o negro governo de Pindorama...!
Ansiamos a explosão óptica,
caos da cor,borrão bombástico, irial do Delirismo!

sábado, 19 de abril de 2008

fernando pessoa

este é um dos poemas q mais gosto. sua simpliciade profunda
me faz sentir a grande alma q o escreveu.

V - Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada

Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
Lucidez

Justo
É perder a arrogância
Dobrar a coluna
Esquecer a cobiça.


Bom
É uma suave fragrância
Um claro de lua
Um vinho envelhecido.


Lindo
É lavar-se nas fontes
Descansar sob as árvores
Mirar o poente.


Enquanto
Um brilho de orvalho
Pousa nas retinas
Desolisticadamente


Como uma velha palavra
Q lava
De leve
As pétalas do poema...




Alex Sakai – Tokyo - 1994