quinta-feira, 24 de setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
quarta-feira, 3 de junho de 2009

Escuro escuro escuro. Todos vão ao escuro,
O vazio espaço interestelar, o vazio no vazio.
As palavras são a ordem e a desordem do universo.
Uma palavra pode salvar o dia, ou por tudo a perder.
O poder da palavra é indiscutível. A palavra é a pá que lavra o destino do homem.
Uma palavra como uma pessoa tem uma origem e um fim.
Mas o que há de mais notável em seu poder é a capacidade infinita de expressão, seu labirinto etimológico, seu jogo sutil de significados.
Há muito coleciono palavras. Palavras exóticas. Palavras banais. Palavras de alto valor sentimental. Palavras perigosas. Palavras nuas, sem seu véu de oculto poder.
Vejam o caso da palavra ventre, que durante anos freqüentou habitualmente meus escritos.
Como um chamado ao amor. Semiologicamente, pode se ver em ventre a palavra vem + entre, como se a menção da palavra fosse mesmo um convite as delícias da alcova.
Há casos mais sérios como a palavra consciência. Ter consciência é ter um estado pleno de lucidez, é o conhecimento presente, o estar desperto, com pensamento claro que possui àquele que está com a ciência.
Ao longo da vida venho colecionando essas pequenas jóias como
Paciência, realidade, cativar, diamante. Substantivos expressivos como flor, amora, irmão, coração. Palavras esquisitas como lambisgóia, alfarrábio, fidúcia. Sonoras como plúmbeo, trom, tântalo, abracadabra. Profundas como silêncio, claras como solar, límpidas como vento, nua como nuvem.
Como o poema totem que escrevi um dia :
Nu
Vem
To
Tem
Po
.
Onde se lê Nuvemtotempo,
Nuvem
Vento
Totem
Tempo e ponto final.
As palavras são designadas pelos poetas para além do cotidiano, vejam “ ou isso ou aquilo”, “lição de coisas”, vejam Drummond, vejam “um áporo”, vejam “oh roolfs of chelsea” e “voilá La tour Eiffel” de Vinícius de Morais, vejam além das palavras, vejam suas vísceras. A amplitude da compreensão se agiganta, se aprofunda, sobe aos círculos superiores da linguagem. Desde os ananukis, os seres supremos de três metros de altura, que segundo a civilização suméria, criou a escrita e muito mais, de acordo com o “códico cósmico” de Zecharia Sitchin, onde as tablitas de argila da escrita cuneiforme nos contam histórias fantásticas da expressividade de palavras além dos limites de nossa galáxia. E de como foram o fogo mágico civilizador da humanidade. Ficar no raso das rimas pobres, dos versos óbvios, das citações históricas, dos estilos, sem penetrar no reino surdo das palavras e das letras é matar a poesia e seus sacramentos.
Mallarmé disse a seu amigo pintor, séculos atrás, que poesia não se faz com idéias e sim com palavras. Por isso para quem quiser de verdade ser um poeta tem que penetrar nesse reino, como se penetra uma mulher. Com carinho, mas firmeza. Com ternura, mas com ciência. Tem que colecionar palavras. Tem que saber que cada uma é uma vibração de energia inteligente. Que cada uma tem o poder de criar ou destruir universos.
O Zohar, o livro da cabala Judaica nos conta que o próprio Deus usou das 22 letras hebraicas, de alef a tav para protagonizar a criação. O sábio povo Judeu, desde o princípio, sempre soube do poder das palavras, por isso seu exército sempre foi invencível. Sua ciência magistral e sua poesia a mais bela. Alguém já leu “o cântico dos cânticos”, não apenas como um mero poemeto do erotismo semita, como o querem os que se contentam com o raso, mas como uma expressão profunda do amor cósmico que tudo sustenta, a força cabalística superior, o amor que move astros e o firmamento? O que dizer dos salmos do poeta Davi, sem dúvida o poeta mais lido de todos os tempos. Os provérbios, o “Qohelet” de Salomão?
Por isso afirmo, para ser um verdadeiro poeta, um não pode se contentar com pouco, há que ser radical, ir à raiz. Conhecer a origem. Vibrar uníssono com o som das esferas e saber que elas, as palavras, são faces do mistério da criação. O resto é melosidade sem melodia, rimas sem conteúdo, imagens desbotadas e sem contorno. Vazio da existência, de divindade e de poesia.
Os poetas que já foram sagrados, porque tinham a compreensão da criação e o dom de cantar, se tornaram obtusos produtores de ruídos sonoros e logopaicos. Criaturas arrogantes, artífices ululantes do medíocre, almas perdidas sem seu criador.
Penetremos, pois, silenciosamente no reino das palavras... ali está o verdadeiro caminho do poeta.
Alex Sakai
PVH – março 2009
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
DIÁLOGO POÉTICO
Lendo Mirante
Axé!
DIÁLOGO POÉTICO
Para Cláudia Brino
A superfície do tempo nas entranhas do tempo
É o incógnito relógio não se cogita relógio
Metáforas de mil carícias realidade de uma carícia
Distração na verdade noturna. diurna verdade noturna.
Já estamos libertos sempre somos libertos
E definitivamente urgentes e naturalmente eternos
Porém então
Abra os olhos e perceba: feche os olhos e medite:
Nada é azul... é tudo blue...
Pois se a neblina é água pois se o azul neblina e água
Que finge tinge
Imagine o resto. Todo é esfinge resto.
CANÇÃO DO TEMPO/CANÇÃO DO TEMPO
Para Antonio Canuto
Dos ossos do peito dos suspiros do peito
Construí um porto ergui um píer
De onde os navios onde os navios
Que me partem Q aportam
Pelos dedos chegam cedo
Viajam no tempo viajantes do vento
Quem vive nestas praias quem mora nestas praias
Homens velhos homens jovens
Velhos pescadores jovens surfistas
De sonho de sonho
Sabem que o vento sabem Q o tempo
Muda o tempo comanda o vento
Crispa marés levanta marés
Levanta a areia crava as areias
Que cega de marcas
Marca a pele crispa a pele
E faz eco e silencia
Nas pedras do cais as pedras do cais
Sabem que é o vento sabem Q é o tempo
Que apaga o tempo Q sopra o vento
São homens velhos são homens jovens
Velhos homens homens e mulheres
Que amam o vento Q navegam o tempo
O FAUNO/ A NINFA
Para Sidney Sanctus
Agora sim, esparzirei mais astros depois não mais semearei astros
Agora sei que vou beber da tua essência depois de beber da tua ausência
Abro as portas do meu dia, com nuas auroras fecho as portas de minhas noites, visto auroras
Que morrem em crepúsculos de músicas e perfumes Q nascem nas manhãs de silêncios inodoros
Para nascer à noite e nos esconder para o amor para morrer no dia e nos expor ao amor.
Da tua fecundante imagem farei um Universo, de minha miragem estéril desintegrarei um átomo
Forjarei uma natureza só pra nós dois desvanecerei a ilusão em solilóquio
Onde cantem estrelas e brilhem os mares onde silenciem vácuos e escureçam rios
Germinarei um céu verde, sem nuvens, colherei a terra vermelha, enevoada
E o sol que nele fulgir será moreno, e a lua Q nela refulgir será dourada,
Tendo como tez o teu rosto de luar inebriante... tendo como ossos teu corpo de sol escaldante!!!
Que este sol aqueça nossas praias Q essa lua congele nossas florestas
E o amor que vem do meu coração, e a dor Q sai do teu coração.
Fluídico fauno a deflorar suas sensíveis sereias...! pétrea ninfa a congelar insensíveis tritões.
DIÁLOGO
Para Valdir Alvarenga
Meu amor é vingança o amor é esperança
É dança que envolve não se cansa de volver
Revólver que não atira revolve o Q não se tira
Mentira que brilha verdade Q atira
É brilho sem luz o brilho da luz
A vingança é meu amor é esperança meu amor
Avança como a onda dança como onda
Última do mar primeva do mar
Meu amor é vingança o amor é esperança
Um amor sem amar. um amor pra se dar.
Alex Sakai
Porto Velho 28/09/2008
terça-feira, 30 de setembro de 2008

SURREALISMO MANUAL DE UM POETA E SUAS LETRAS.
As letras solícitas se curvavam
à direita e a esquerda
em clássica reverência à mirada do poeta.
As vogais abertas clamavam.
Agitavam.
Ululavam.
As consoantes conspícuas posavam com discrição a sua incrível erudição sonora,
de tradição surda e muda.
Com a mão pousada sobre o papel,
o poeta jogava com a caneta entre os dedos,
Enquanto cumprimentava, com a direita, um sonzinho recém-chegado.
Com a terceira mão limpava os olhos.
Com a quarta semeava pássaros sobre as cinzas do poema,
Cujas raízes alimentavam sua outra mão,
de onde borboletas silenciosas brotavam
e iam pousar em forma de letras na sexta mão,
que as recolhia e metia no bolso esquerdo.
Enquanto a sétima mão
coçava as orelhas
em forma de lira.
Alex Sakai Tokyo - 1994
sexta-feira, 22 de agosto de 2008


